Danço a Vida...

"Que eu saiba que não tenho opção, e assim mesmo escolha como a cantiga é feita, em alegria e com amor. Que eu faça a mesma escolha todos os dias e de novo. Quando falhar que eu me conceda o perdão. Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo." (Rae Beth)

segunda-feira, junho 27, 2005

Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!

Não sei porque hoje me peguei a pensar nisso o dia inteiro... em máscaras. As venezianas me fascinam! Sei que as máscaras são tão antigas qto a população humana (+- 30.000AC) e podem ser usadas para rituais mágicos com o intuíto de dar vazão a alegria, tristeza, revelar ou ocultar sentimentos; rituais indígenas para incorporar entidades que curam e em cerimônias de dança e guerra; etc.

Isso posto e lido e entendido fico com a dúvida: Por que nós usamos uma máscara diferente a cada dia e ocasião, independente de rituais ou datas especiais? Estranho que não consigo achar uma explicação e para as nossas mascáras do dia-a-dia... deixa pra lá, sei que isso vai ficar comprido pra cacete mas me deu vontade de colocar aqui um poema do Kahlil Gibran que eu amo:

"Perguntais-me como me tornei louco.

Aconteceu assim:
um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo
e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia confeccionado
e usado em sete vidas -e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:

"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"

Homens e mulheres riram de mim
e alguns correram
para casa, com medo de mim

E quando cheguei à praça do mercado,
um garoto trepado no telhado
de uma casa gritou: "É um louco!".

Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:

"Benditos, bendito os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"

Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança
em minha loucura:
e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."